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Sobre um cover e o Eminem

1/10/2010

Meus amigos me acham insuportavelmente chato, pessimista e mal humorado. E sou. Sou assim porque o mundo já tem gente demais cheia de alegria, bondade e otimismo. Eu sou a resistência. Tomo isso como uma missão de vida.

Na verdade eu sou uma farsa. Por dentro sou um romântico frágil e um otimista tolo. Por isso todos os meus amigos me suportam. Eles sabem que meus comentários são risíveis e roteirizados para provocar. Ou não. Nem eu mesmo sei quando falo sério. Nem eu mesmo sei o que de verdade há nas minhas piadas preconceituosas ou na minha opinião exagerada.

Após essa introdução, sinto-me tranqüilo para contrariar uma unanimidade: todo mundo tecendo grandes elogios ao cover do Radiohead conduzido pelos garotos do Café Colômbia e convidados.

Dizer que sou um fã xiita do Radiohead é redundância. Não há fãs moderados do Radiohead. É como uma seita. Gastar todas as minhas economias para ver 2 show seguidos de uma banda parecia loucura pra todo mundo. Pra mim era apenas o mínimo.

Fui para órbita querendo odiar e odiei. O som estava um lixo, o repertório foi ruim, os garotos da banda pareciam perdidos e a execução não era metade do que era pra ser. O meu lado otimista e feliz queria gostar. O Strokes cover é perfeito e o Café Colômbia é o Café Colômbia. Se alguém disse “vocês não vão conseguir” ou “é impossível”, eles deveriam ter acreditado. É impossível.

Mas a platéia estava tão feliz e a banda parecia estar tão realizada que o problema deve ser eu. Eu e minha chatice rotineira.

Só não vou contar aqui que fiquei arrepiado com 2+2=5 e dancei feito doido durante Idioteque porque vai parecer incoerência. E incoerente é algo que definitivamente não sou. Já tenho adjetivos negativos demais associados à minha personalidade.

PS: Tudo que sei tecnicamente sobre música é diferenciar uma guitarra de um baixo. Portanto, antes que alguém me acuse de ser um ignorante, deixo claro que minha opinião é completamente baseada no senso comum e completamente descartável.

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Deve ser o calor dessa cidade, mas passei a semana inteira ouvindo Rihanna e Eminem.

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E a pesquisa do mestrado vai mudar de rumo pela quarta vez em um ano. A pós-graduação está cheia de reviravoltas e surpresas. Ta parecendo Lost.

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Algumas vezes eu me sinto como um psicopata paranóico com os vestígios de sangue que podem ter ficado pelo caminho.

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Fraz em SP ou BSB?

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POR DEUS! Vários posts aqui cheios de erros de português...Que a CAPES nunca leia isso aqui...

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Escrever pra ninguém é uma experiência um pouco lunática.

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Diplomat's Son e Run do CD novo do Vampire Weekend são as músicas do verão.

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Vou ali jogar os roms do Power Rangers e do Aladdin e volto depois.

Sobre bandas que desaparecem e ninguém percebe

12/26/2009

Ontem fui pego de surpresa quando li que o Magistrates chegou ao fim. Tomando como base minha grande sabedoria, tenho a impressão que devo ter sido o único no país que sentiu o baque. Não sou muito dado a indienices e gosto de coisas tão dispares como Justin Timberlake e Eight Legs. Desconhecimento popular definitivamente não é um fator importante nas minhas escolhas musicais. Se faz bem aos meus ouvidos, faz bem ao meu coração. O desaparecimento prematuro do Magistrates me fez pensar como a música nessa década está líquida (com licença, Bauman). Não importa o quanto o Magistrates era bom ou ruim, ninguém vai lembrar. Ninguém vai lembrar de todas essas pequenas grandes bandas.

Eu sempre fui muito paranóico com essa coisa do tempo, velhice e morte. Como todos os gênios “nascem” entre os 20 e os 25 anos eu já perdi a minha oportunidade de ser relevante. Provavelmente, assim como o Magistrates, serei esquecido no verão seguinte após minha morte. Só estarei presente na memória de uma ou duas gerações familiares posteriores. Fato.

O que fazer então?

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Deus é cruel, injusto e o maior responsável pelos latifúndios de felicidade que é esse planeta. Veja o caso Ryan Gosling. O cara é rico, galã, pega todas as mulheres lindas de Hollywood e faz os filmes independentes mais bacanas do cinema americano. Não satisfeito, resolveu criar uma banda legal. É demais pra mim. A felicidade de Ryan poderia ser redistribuída para 10 ou 15 infelizes que ainda assim sobraria. Felicidade e beleza oprime. Eu odeio o Ryan Gosling. Odeio porque alguém tem que mandar energia negativa pra ele. Um pouquinho de vez em quando é bom.


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Da série “Banda legais que ninguém vai lembrar”

Pomegranates
http://www.myspace.com/pomegranatesart

Dead Man’s Bones
http://www.myspace.com/deadmansbones

Não, Ryan. Ninguém vai lembrar da sua maldita banda!

Sobre alguns desabafos avulsos

11/17/2009

1. Estou completamente, profundamente, totalmente apaixonado por Calvin e Haroldo. Absolutamente genial e fofo. Odeio dizer isso: fofo.


2. Por que alguém não cria um mapa colaborativo que aponte idiotas desocupados que criam mapas colaborativos?


3. Fui acusado ontem de ter uma paixão enrustida por Recife. Fizeram essa pesadíssima acusação só por eu ter voltado lá pela oitava vez no último fim de semana. Como já deixei claro aqui, Recife é a pior e mais deprimente cidade de todo o globo. O problema é que a força gravitacional sempre me puxa pro fundo do poço. Daí, lá fui eu de novo passar pela cidade do lixo, do mau cheiro e das pessoas que não sabem dar nenhuma informação. Recife é engraçada. Tudo gira em torno de um shopping que eles dizem com orgulho ser o maior da América Latina. Claro que Buenos Aires deve morrer de inveja desse importantíssimo título conferido à Recife. As linhas de ônibus são assim: Boa Vista – Shopping, Boa Viagem – Shopping, Caxamgá – Shopping, Inferno – Shopping. Ou seja, tudo acaba no shopping que é lotado de recifenses cheios de si e crentes que estão em Barcelona. Os indies de Recife são mais indies que todos os outros indies e mais ingleses que os indies com naturalidade inglesa. Recife é a nata da intelectualidade porque possui uma livraria Cultura com dois andares. Você sai pra noite de Recife em um teatro decadente, com um bando de indies crianças, encontra algumas celebridades (2 ou 3 integrantes do Sweet Fanny Adams) e descobre ao sair que o Recife antigo é o centro de Fortaleza depois das 10. Uma megalópole, um celeiro cultural, uma jóia encravada no nordeste. Amo Recife como amo acordar cedo para ir a minha maravilhosa aula de didática.


4. Falando nela...Amanhã tenho minha penúltima aula de Didática. Apresento nesta quarta o meu plano de aula. Está lindo. Amanhã tentarei articular em uma mesma frase as palavras “afetividade”, “coletividade” e “diálogo”. Vou conquistar a platéia. Estou economizando minhas faltas para não ter que ir na última aula. Tenho medo de rolar um abraço coletivo.


5. Ontem a vi de costas. A bunda dela é muito estranha.


6. Não adianta, vou fazer do meu jeito.


7. Manu Chao em Fortaleza é a notícia do século!


8. Faltam 30 dias para eu ficar em casa contando as horas para começar a fazer nada.


9. Lucas Santtana é gênio, Norah Jones me surpreendeu, o Thom só me decepciona, o Albert está destruído e eu queria ser o Mayer Hawthorne por um dia.


10. Alguém pode matar e cortar em pedaços essa criatura chamada Lady Gaga? Obrigado!

Sobre o gênio Quentin Tarantino

10/19/2009

Quentin Tarantino é para os cults-nerds-descolados o que Glauber Rocha é para os feios-chatos-intelectuais: um ser intocável, inquestionável e supostamente genial. Glauber devia viver rodeado de gente igualmente insuportável e nem devia lavar os cabelos. Tarantino deve falar sem parar, citar dezenas de bandas e livros que ninguém conhece e se achar um ícone.

Tentarei explicar melhor o meu ódio por essa divindade a partir do conceito de “espectador Homem Simpson” cunhado por Willian Bonner. Tarantino deve ter a mesma expectativa diante do seu público que Bonner tem diante do seu telespectador. No lugar de uma rosquinha devorada aos montes, estão alguns gibis e um mp3 player cheio de músicas que o Homer Simpson original nunca compreenderia. No lugar da TV, um computador portátil. O Homer Nerd é ávido por demonstrar sua cultura geral diante dos tolos de nível médio.


Cabe aqui apresentar outro conceito dessa vez criado por mim mesmo: o conceito de “metáforas justificadoras”. Diante de um filme “pop”, “pipoca”, “sem cérebro”, “sem sentido”, “sem explicação”, “sobre o nada”, os críticos cinematográficos adoram usar a tática das metáforas justificadoras para explicar o porquê de terem simpatizado com a produção. Funciona assim: tudo na verdade é uma grande metáfora de alguma coisa. Exemplo: Por se passar dentro de um Shopping, Madrugada dos Mortos usa a história de zumbis para fazer uma metáfora sobre o consumo desenfreado da sociedade capitalista. Pronto. Agora não vai ser feio você dizer numa mesa de bar ou no jornal que adorou Madrugada dos Mortos. Aliás, críticos de cinema adoram encontrar metáforas em tudo.

Tarantino é comumente apontado como sendo um cineasta que utiliza uma estética pop para apresentar uma metáfora sobre a nossa cultura, tradições e vida moderna. Não senhores, Tarantino não faz metáfora de porra nenhuma. Tarantino não é antropólogo. Suas histórias são banais, seus diálogos são vazios e seus filmes são sobre nada. O nada, o vazio e a banalidade não são metáforas sobre a superficialidade (ou qualquer outra coisa). Eles simplesmente são. O nada não necessariamente é uma metáfora sobre o nada. Ele pode simplesmente ser o nada.

Daí Tarantino nos coloca diante de uma cena super longa em que várias garotas conversam sobre nada em um carro (À Prova de Morte). Muitos apontarão 300 citações pops em um diálogo estúpido. Outros apontarão milhares de pequenas metáforas. Eu vejo o nada. Recortar um fiapo de diálogo sobre sexo não faz disso algo especial. Se eu filmasse a Raquel e o Fantine conversando sobre Gays Famosos, teria uma cena muito mais inteligente, pop e interessante. Como não sou o Tarantino ninguém veria citação pop nenhuma, metáfora nenhuma e inteligência nenhuma.

Toda pessoa para ser digna de ser uma pessoa deve necessariamente odiar sem motivos racionais e ter preconceitos sem fundamentação. Eu, por exemplo, odeio Recife, odeio estudantes de estilismo, odeio secundaristas, odeio acordar antes das 8 e odeio pessoas felizes em demasia. Tenho um preconceito inexplicável por pesquisadores/artistas que se vestem de forma estranha, por instalações artísticas, coletivos artísticos e jovens cineastas cearenses. No caso do Tarantino tenho um punhado de razões para odiá-lo. O problema é que tenho uma quantidade igualmente significativa de motivos para amá-lo. Será que sou um Homer Simpson Nerd enrustido??

Sobre nada

9/10/2009

Lá estava eu quase chorando com uma seresta. Tom na voz de um bando de velhinhos com violão e voz rouca. Lá estava eu de frente para um computador cheio de tabelas e “Falando de amor” sendo cantada com a tristeza que lhe cabe.

Agora toca “Amigo é pra essas Coisas”. De repente penso que poderia sentar ao lado dos dois e lhes contar o que se passa.

- Posso sentar um pouco?
- Faça o favor
- A vida é um dilema
- Nem sempre vale à pena...

Sobre aulas de didática

8/31/2009

1. Ciências humanas é uma farsa.

2. Odeio didática.

Pronto. Essas foram as duas coisas que aprendi até agora no meu mestrado. Não agüento mais essa chatice de ter que compreender o pensamento ocidental. Prefiro o pensamento ocidental do Quake 4 e do Mario World ao pensamento ocidental de Nietzsche e Foucault. Só pessoas feias e chatas preferem Deleuze, Chartier, Baudelaire e afins. Eu prefiro o Perez Hilton. Ele sim representa o pensamento ocidental contemporâneo. Prefiro a JK Rowling que, como diz a Raquel Thomaz, assume que escreve ficção. Estou cansado. E não pensem que falo isso por me sentir superior a todos esses grandes pensadores. É justamente o contrário. Sou uma besta estúpida incapaz de ter um pensamento crítico sobre qualquer parágrafo escrito por um grande pensador. E não há nada que me faça ter mais ódio da academia do que a magnífica aula de didática.

Eu sempre digo que há os que gostam de comer fezes durante o sexo, há os que são masoquistas, há os que gostam de Teatro Mágico e há os que gostam de aulas de didática. Na minha sala há uma porção deles. De pessoas que gostam de aulas de didática e muito provavelmente que gostam de fezes e Teatro Mágico. Eu que devo ser masoquista de suportar durante quatro horas (que podem se transformar em 5 dias psicológicos) uma aula cheia de dinâmicas de grupo, discursos cheios de afeto e experiências inesquecíveis.

É duro ter que acordar 7 da manhã para começar o dia fazendo desenhos com canetinha colorida em um papel branco. É doloroso olhar para o rosto dos comedores de fezes e descobrir que todos eles estão maravilhados com essa experiência lúdica. Não amigos. Não fui feito para isso. O que mais me irrita é saber que depois de tantas discussões e afetos todos farão o que bem entenderem em sala de aula.

Eu me sinto um puto na aula de didática. Sinto-me um puto por ter que passar por isso por conta de uma bolsa miséria.

Hoje, senhores, eu sou um puto que sabe pintar em um papel branco e que muito em breve pode estar comendo merda.

Sobre Cidadão Instigado, Recife e Sweet Fanny Adams

8/22/2009

O bom de ter um blog que ninguém lê é que nunca vou sofrer com comentários contrários ao que escrevo. Se tem uma coisa que odeio é quem não concorda comigo.

I – Juro que estava aqui tentando buscar argumentos para falar mal do Cidadão Instigado. Esse surto coletivo de elogios ao Fernando Catatau está me causando dias desconfortáveis.

É difícil suportar que o nosso sotaque tosco e insuportável seja jogado em nossa cara. É complicado ter que seguir uma cartilha ou manual de instruções para ouvir uma banda. “Para ouvir Cidadão você deve esquecer métrica, poesia clássica, modernidade, vocal afinado etc etc.” Ou seja: basicamente você deve esquecer que eles são uma banda. E não me venham dizer que o barato são as letras simples e sem frescura poética. Meu caro, você conhece algum grande escritor ou poeta famoso por sua simplicidade? Não, não existe. Nenhum artista é digno por ser comum.

O problema é que lá estou eu cheio de tomates na mão, cheio de vontade de gritar um “Ieiiiii”, cheio de vontade de dizer “mais uma banda cearense horrível”. Daí eles começam a tocar e sinto ódio por não ter argumentos para jogar um tomatinho sequer.

O barato do Cidadão é que eles são em parte o que nós somos. Enquanto quase todas as bandas desse lado do Brasil insistem em acreditar que estão fazendo música em Londres, Catatau faz música em Canoa Quebrada.

Não é fácil escutar “massa” em uma canção. Não é fácil ouvir nosso sotaque agudo e anasalado.

Não adianta. Mesmo o carinha que se veste de Inglês tosco, mesmo o carinha que nunca ouviu falar de Humberto Teixeira e Belchior, mas conhece a obra completa de Tom Waits e Johnny Cash, mesmo esse, irá soltar em algum momento do dia um “abestado” ou um “ei, macho!”. Ser cearense pode ser dolorido para alguns, mas é o que somos.


II – Não sei bem o porquê, mas odeio Recife. Passei carnavais inesquecíveis lá, mas ainda assim odeio Recife. Adoro repetir “Odeio Recife” pra todo mundo. É quase um bordão. A cidade é feia, suja, cheira mal, é menor que Fortaleza (embora todo recifense tenha a ilusão tola que não) e as pessoas não sabem explicar qual ônibus pegar. Apesar dessa minha transcendental rejeição, quase morei em Recife e já estive lá umas 10 vezes. Os mais ousados irão dizer: amor e ódio! Não, no meu caso é a insistência de Deus em me sacanear.

Aos recifenses desavisados que chegarem até aqui, não se importem com o que escrevo. Isso é apenas uma birrinha com um fundo de verdade. Todo mundo tem que ter uma cidade para amar e odiar. Escolhi Recife pela proximidade geográfica e também porque adoro competições tolas que não levam a lugar nenhum.

Posto isso, fui essa semana ver o show da famosíssima Sweet Fanny Adams. Digo famosíssima porque eles já foram selecionados para diversas coletâneas, embora nunca tenha ouvido falar de nenhuma deles. Eles foram inclusive selecionados pela Ultimate Billboard Top Mega Awards e venceram o Massachusetts Fabulous Choice. Com tantos prêmios e reconhecimento internacional não sei o porquê da banda continuar na pequena Recife.

Seria muito simplista acusá-los de apropriação do passado. Eu como um incipiente estudioso das relações passado-presente na arte não poderia cair nessa vala comum. Foda-se se cada música deles lembra alguma outra coisa que nós já tenhamos ouvido. Problema nosso.

Mesmo cantando em inglês a banda mantém suas raízes nordestinas. O que pode ser percebido nas camisas xadrez que eles usam, típicas das tradicionais festas juninas. Digna de nota é também a perfeita chapinha do vocalista. Obra de um cabeleireiro muito inspirado.

Pronto. O Sweet Fanny Adams se juntou ao Cordel do Fogo Encantado e Nação Zumbi dentro da categoria “Coisas de Recife que valem à pena”. E quando eles voltarem aqui, lá estarei eu pulando. Mesmo sem entender uma linha do que o vocalista canta em seu inglês britânico de Sobral. Mas quem se importa? Tem gente que não entende nada que o Catatau canta....

PS: Sim, eu sei que o Cordel não é uma banda de Recife.

Sobre o dia 21 de julho

7/21/2009

O dia 21 de julho é uma perda de tempo para a humanidade. Não é data comemorativa de nada, nenhum gênio nasceu e ninguém relevante morreu em um 21 de julho. Um nada. Podiam cortar o dia 21 de julho do nosso calendário que nossas vidas prosseguiriam sem prejuízos.

Deus, que é um cara bem sacana, mandou-me para esse planeta em um 21 de julho. Esse dia deve ser provavelmente uma baixa temporada nas reencarnações. O dia da Super Promo. Aquele dia em que os pobres de espírito, tolos e descartáveis são mandados de volta a Terra.

Ao contrário do que possa parecer, o meu texto não revela nenhum sintoma de baixa estima por mim mesmo. Em tempos menos inglórios talvez significasse. Hoje não. Hoje me sinto no direito de ficar irritantemente egocêntrico. De acreditar que Deus colocou esse ser (Eu mesmo) para salvar o dia 21 de julho da pasmaceira.

Se me falta tanto, sobram outros tantos. Hoje me sinto no direito de acreditar que sou um gênio, um prodígio, um petit gateau. Não quero modéstia, não quero pouco, não quero pratos de vidro.

Amanhã sentarei em um lugar qualquer e direi: “Querido dia 21, retire meu nome da sua lista de miseráveis!”. Minha glória durará o tempo exato para que eu acredite que ela seja eterna.

Hoje durmo com minha blusa fina do tempo e com os buracos do meu colchão duro. Um rei cheio de si. Como todos os reis devem ser.

Sobre o meu passado comentado e minha falta de habilidade com vírgulas

7/05/2009

1. Aqui estou sem dignidade alguma. Sem palavras, sem frases, sem conclusões. Ser pesquisador é um inferno sem um demônio. Escrever é minha pior obrigação. Queria simplesmente ler, fumar um cachimbo e ficar divagando comigo mesmo ou com outro estúpido qualquer. Odeio ser obrigado a dizer algo brilhante, profundo e funcional.

2. 4 x 17 gramas de álcool + 4 x 25 gramas de álcool. Ou paro com isso ou morro. Minha ressaca moral dura exatos 30 minutos quando acordo. Ontem durou 24h.

3. Queria esquecer esse saudosismo desanimador e me encantar por algo novamente. Planejar 2010 é minha fuga. Irei dominar o mundo. Irei dominar o meu mundo.

4. Pedaços do falecido Cidade do Sonho. Eu era uma criança tão inocente...Decidi preservar os textos sem vírgula porque isso é a única coisa que permanece após estes anos. Tudo o que guardo da minha adolescência é minha total falta da habilidade com vírgulas.


“O mundo é um circo e eu estou sentado na primeira fila. Estou desesperado para ver o leão devorar minha alma. Estou ansioso para ver o malabarista cair lá de cima para delírio da multidão. Estou contando os segundos para ver as dançarinas e suas pernas hipnotizantes que levam ao inferno quem as vê. Estou ansioso para ver o mágico fazer desaparecer a esperança. Terá também a entrada triunfal do homem-bomba. Ele se despedaçará na nossa frente em sinal de protesto e todos irão se admirar. Quero ver o palhaço roubar o amor da minha amada. Quero ouvir os gritos delirantes da multidão quando o mestre de cerimônia gritar: Calem-se! Quero rir de forma estúpida e desesperada. Só sairei daqui quando não mais souber quem sou. Vamos, aplauda! Bata palmas para esse show patético. Você pode não saber, mas esse mundo é um circo e você está sentado na primeira fila.”


Comentários póstumos: Eu escrevia pior do que escrevo hoje. Sou péssimo com concordância verbal. Uso períodos curtos para evitar a utilização de vírgula (exatamente como estou fazendo agora). Esse texto está cheio de frases feitas. Devo ter coletado uma porção de coisas de letras de música. Platéia?? Nós estamos no meio do picadeiro, Bruno, meu chapa.

Não consigo adestrar as palavras. Não consigo prender minhas idéias. Não tenho a menor noção de regras. Não tenho vontade de fazer pensar. Não tenho habilidades com formas. Não sei criar enigmas. Não sei criar o absurdo. Minhas imagens são simples. Se tiver que ser criativo. Se tiver que saber jogar com as letras. Sinto muito. Não serei eu. Não escrevo poesias nem romances. Descrevo sentimentos.

Comentários póstumos: Jesus Cristinho, que texto horrível. Devo ter feito isso na tentativa de receber elogios, na mais baixa utilização da psicologia reversa. Adorava me passar por coitadinho para seduzir e comover as platéias. Eu era uma vergonha.

De repente veio a chuva.

Pude sentir minhas mãos geladas. Pude tocar a água que caia.

O frio chegou.

E as nuvens escuras engoliram a luz.

Veio a solidão e o silêncio.

E todos entraram em suas casas.

Todos dormiram seu sono mudo.

Todos se esqueceram do espetáculo que é quando a chuva cai.


Comentários póstumos: Aqui um belo exemplar da minha pior frase. Novamente os períodos curtos...Isso me faz lembrar de cada dia que vivi em 2003. Gosto deste texto.

5. Isso é uma volta?? Não me faça perguntas tolas...

Bloggiter #2

3/06/2009

>> Vigiar e punir
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Festa estranha com gente esquisita

3/01/2009

Premiações são estranhas. Como os prêmios possuem geralmente uns 5 indicados para cada categoria e apenas 1 vence, inevitavelmente 80% dos convidados vão sair da festa putos. E não há nada mais divertido do que ver a cara de merda de quem perdeu. O problema é que essas festas são todas certinhas, com todos os convidados de terno e gravata, vestido longo e cabelo milimetricamente penteado.

Porém, todos os anos somos brindados com a festa mais bagaceira, derrubada, bêbada e sem noção do planeta: NME Awards. É quando um bando de gente bizarra, bandas estranhas que só a NME conhece, alcoólatras e drogados se juntam para comemorar o melhor da música britânica.

Tudo acontece no O2 Academy Brixton, uma casa de show pequena que serve para criar o ambiente intimista de um pub inglês. As categorias são progressistas (vilão do ano, herói do ano, pior álbum do ano...) e ninguém deve se importar muito em perder. No final das contas, ganhar o NME Awards não vai muda a carreira de ninguém. Ou seja, eu nem sei quem ganhou alguma coisa, só me interesso pelas fotos e pelas histórias de bastidores. Então, vamos ao que importa:

Linda essa fantasia... No carnaval do Rio ia ser um sucesso. Imaginei até um nome: "Urubu Rei na selva de Ijaçanã".

Esse cara de azul não é a cara do Noel Gallagher mais novo?

Ok, podia jurar que o The Horrors já tinha sido esquecido lá em 2007. Gostei do estilo defunto emo-gótico deles. E aquela versão morena do primo itch no canto esquerdo? Ou seria a Samara do Chamado?

Esse é o tapete vermelho do NME Awards.

Enquanto no Globo de Ouro é servido um jantar sofisticado, eis o que é servido aos convidados do NME Awards...

É assim que a festa acada: com classe e elegância. Eu acho isso um desperdício de Smirnoff...

E esse cabelinho estilo "As panteras" do Alex Turner????


Ok, ok. O Blur também tocou na festa depois de sei lá quantos anos parados. Mas quem se importa?
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Bloggitter #1

2/28/2009


>> Deus não me ouve ou eu não ouço Deus?<<
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Sobre o cinema matemático de Aronofsky

2/26/2009

Minha confiança em cineastas não costuma durar muito tempo. Talvez isso seja fruto de minha pouca capacidade de criar laços afetivos com qualquer coisa. Minha entrega inicial logo se transforma em decepção sem volta.

Quase toda a cinematografia de Aronofsky parece fruto de cálculos matemáticos precisos. E embora a racionalidade esteja sempre em maior evidência, diante de suas obras ainda somos colocados dentro de um jogo de sensações nada exatas.

Pi talvez seja uma metáfora sobre a própria carreira do diretor. Um alucinado perfeccionista, detalhista e obsessivo em busca de uma fórmula que explique a vida. No caso de Aronofsky, a busca pelo cinema milimetricamente perfeito.

A fórmula de Darren Aronofsky é arriscada. Uma dose mínima que extrapole o estabelecido na tabela pode causar erros detestáveis: A Fonte da Vida. No entanto, quando todos os ingredientes são adicionados precisamente, temos o cinema matemático e perfeito de O Lutador.

Alguns podem odiar o filme, mas poucos conseguirão apontar o porquê. Os defeitos talvez estejam lá, mas pouco visíveis. Aronofsky consegue criar uma obra que não é perfeita, mas que não deixa seus erros e equívocos perceptíveis. Tudo está colocado em seu lugar: luz, câmera (as movimentações mais delicadas de sua filmografia), trilha sonora, atuações, edição. Não conseguiria apontar um só defeito.

A câmera, quase sempre na mão, só sai de sua discrição quando as lutas exigem uma agressividade um pouco maior nos planos. O que pouco acontece. E como é belo o "contra-luz" de Aronofsky. Como é bela a canção de Bruce Springsteen...

Sei que não é o seu melhor trabalho, mas não sei os motivos que o coloca inferior a Pi, por exemplo. Continuo confiando em Darren, embora o meu ímpeto de descrédito e desprezo sempre entre comigo na sala de cinema quando vou assistir qualquer obra sua. Maldito Aronofsky!



Sobre o seu precioso tempo

2/25/2009

Vamos recomeçar os trabalhos por aqui com algumas dicas e conselhos musicais. Tudo baseado no que andam dizendo por aí e no que não andam dizendo por aí.

Não perca seu tempo com:

White Lies/Glasvegas – A primeira ficou em primeiro lugar na Inglaterra logo com o primeiro álbum. O que não significa absolutamente nada já que a parada britânica é muito, muito bizarra. No top 20 dessa semana, por exemplo, temos coisas do tipo Bette Midler, Take That, Lily Allen, Lady Gaga e Seasick Steve... White Lies e Glasvegas estão dentro da nova onda indie inglesa: bandas que se vestem de preto, vocal grave, letras depressivas e My Space gótico. Se a música fosse boa a gente até perdoava a cópia que eles fazem do Joy Division, como a gente sempre perdoou o Interpol. O problema é que as duas bandas são tão, mais tão chatas, que eu até hoje não consegui ouvir mais de 2 músicas seguidas de nenhuma delas. As letras são cheias daqueles clichês melancólicos que até uma ameba depressiva conseguiria escrever melhor. Dica: escute uma ou duas músicas de cada banda e pronto. É só para você lembrar de sair correndo quando um monte de garotos pálidos vestidos de preto passar por perto.


Little Boots – a nova futura grande sensação do ano. 10 entre 10 revistas apontam essa criatura como a cantora que irá estourar no próximo verão. Sinceramente, espero que o verão nunca chegue. Little Boots é tão lugar comum como qualquer outra cantora loira descolada que canta electro. Até a Lily Allen que não canta nada, fez um álbum de electro mais divertido do que qualquer música que Little Boots tenha feito. Não dou três invernos para essa coisinha desaparecer. Problema é que os britânicos estão sedentos pela nova Amy... Dica: Se você quiser coisa nova, escute a Lykke Li.

http://www.myspace.com/lykkeli


Perca seu tempo:


The Magistrates: Divertido, despretensioso, dançante, alegre e classudo. Estão prestes a lançar o primeiro álbum. Talvez nunca estourem. Não espere por isso. Escute e não se preocupe em decorar o nome da banda ou as letras. Apenas se divirta. É para isso que o Magistrates serve.

http://www.myspace.com/magistratesband

The Bishops: Eles são os novos The Coral. Com a mesma sonoridade sessentista da banda de James Skelly, o Bishops consegue fazer aquela viagem ao passado sem esquecer que estamos bem aqui, em 2009. Coisa que pouquíssima gente consegue. O vocal de Mike lembra muito os timbres de Ricky Wilson do Kaiser Chiefs, com uma energia contida e sem exagero. Coisa fina.

http://www.myspace.com/thebishopsuk

Sobre Obama, RENT e sequelas

11/07/2008

Então é isso? Teremos um negro como imperador do universo? Essas eleições estão contagiando os mais desavisados corações. Minha mãe todo dia me pergunta se o “Obanha” já ganhou. É a Obamamania chegando na periferia de Fortaleza. Uma loucura. E o Obama é o primeiro popstar da política produzido pelo marketing. Se ele fosse um artista, seria algo como a Britney ou um dos garotos do Backstreet Boys. Talvez ele seja um artista nato. Com todo aquele seu talento para repetir o mesmo texto em todos os discursos e ter mais intimidade com as câmeras do que a Oprah, ele só pode ter dons artisticos. E quando ele ganhar? Teremos uma turnê mundial? Algo do tipo Obama’s Confessions on a Dance Floor Tour? Seria genial...

Atualização: E ele ganhou! Sei não...Com esse sistema de votação que permite votos por e-mail, pombo correio e sinal de fumaça, nunca de sabe...

E eu continuo achando que o Bush Jr. não vai sair da presidência sem antes explodir o planeta. Já tô até imaginando ele no último dia de mandato enchendo a cara de whisky e apertando todos os botões vermelhos que detonam bombas nucleares. Para nossa sorte, se o Bush Jr. pensar em mandar uma bomba para o Brasil, ela provavelmente vai acabar parando na Argentina. Então, estamos seguros...

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Confesso que meu conhecimento sobre teatro só não é menor do que meu conhecimento sobre a Namíbia ou o Burundi. Até sei todas aqueles conceitos básicos sobre Grotowski, Stanislavski e Brecht, mas acho todos eles sem importância filosófica, biológica ou química. Sem falar que as pessoas de teatro são quase tão chatas quanto as pessoas do cinema. Ou seja, meu desconhecimento sobre teatro é fruto de um preconceito que não sei se quero perder.

Neste domingo fiz um programa improvável: fui ver um musical. O que me chamou atenção foram as fotos que vi pela Internet de uma adaptação de Rent (que obviamente desconheço), uma peça da Broadway. Os atores apareciam vestidos com um figurino que era uma mistura de RBD e T.A.T.U e o release era tão risível quanto as roupas. Porém, tudo parecia no fim das contas ser uma grande comédia, um programa light para rir da tosquice e vergonha alheia. Um erro. Não que a peça tenha siso espetacular.

O problema é que o musical era tosco do tipo que dá raiva e não do tipo que faz rir. Espera-se de um musical atores que cantem (no mínimo) razoavelmente bem, certo? Pêmmmm! Errado. Para o diretor de Rent isso foi o que menos importou. E olha que eles fizeram testes com 150 candidatos....Espera-se de um musical um bom som, certo? Pêmmmm! Errado de novo. Para sorte da platéia, em vários momentos o microfone dos “cantores” sofria interferência ou desligava. Uma maravilha. Sem falar das interpretações que fariam qualquer atriz de Malhação parecer a Fernanda Montenegro. E o enredo (ahhhh, eu posso falar disso, acho que saco um pouco de narrativa...), bom, e o enredo? Juro que fiquei durante uma hora tentando entender qual era a história da peça e que diabos estava acontecendo em cada cena. E no final ainda deram 10 min de intervalo. Deus! Acho que era o tempo para ir até a avenida e se jogar na frente do primeiro carro que passasse.

No final das contas, o tal musical parecia uma peça de conclusão de turma de teatro da oitava série do Ari de Sá. Claro que tudo isso é opinião parcial, descabida, sem fundamentação teórica ou prática. Portanto, se alguém da peça chegar até este blog, não fique triste. Já adianto que eu estou completamente equivocado. A peça de vocês foi jóia! Iradinha! Uhuuuu, galera! Vamo nessa! Vocês são fera!
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E Recife, hein? Será que vai???

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Eu prometi colocar aqui o perfil dos grupos ideológicos existente em Fortaleza, certo? Esqueçam...Acabo de descobrir que deletei o texto. Sei, eu sei que sou sequelado